
O futuro da mobilidade: quatro estratégias para incorporar a sustentabilidade no centro da operação
A última edição do Radar Ayvens abordou a importância de criar estruturas que combinem eficiência operacional e redução de impactos ambientais, conectando tendências e tecnologias ao perfil específico de cada operação
Um dos temas mais relevantes da agenda da Semana da Mobilidade, a transição para modelos mais sustentáveis vem se apresentando como uma pauta fundamental para o futuro da indústria de transportes. De acordo com o último levantamento divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima(IPCC, na sigla em inglês), o setor respondeu por 23% das emissões globais de CO₂ relacionadas à energia em 2019, sendo 70% desse volume proveniente do transporte rodoviário.
Com base nesse panorama, a última edição do Radar Ayvens abordou a importância de criar estruturas que combinem eficiência operacional e redução de impactos ambientais, conectando tendências e tecnologias ao perfil específico de cada operação. Apresentado por Milton Sala, Analista de Sustentabilidade, o podcast contou com a participação de Roberta Ferreira, Diretora de Customer Experience e Driver Service, que destacou a diversificação dos eixos que vêm orientando essa discussão.
“Apesar do foco recente ter girado em torno da eletrificação, o debate envolve conceitos muito mais amplos, incluindo perspectivas de mobilidade ativa, mobilidade coletiva e planejamento urbano. Com o tema cada vez mais presente no dia a dia das organizações, a conversa começa a ser direcionada sobre como aplicar esses conceitos na prática, equilibrando fatores como custo, produtividade, disponibilidade e exigências de matriz”, afirma Roberta.
A partir de um olhar direcionado pelo compromisso da Ayvens em oferecer soluções que transformem estratégias de sustentabilidade em vetores de competitividade, a entrevista destacou quatro movimentos essenciais para incorporar modelos e tecnologias de redução de impacto ambiental à realidade de cada organização.
- Análises data-driven
O aumento do poder computacional e o avanço da inteligência artificial vêm abrindo novas possibilidades de análises de dados aplicadas ao controle de emissões. Combinadas aos sistemas de telemetria, essas tecnologias permitem identificar as soluções mais eficientes para diversos perfis de clientes e monitorar impactos gerados por hábitos de condutores. “Uma gestão baseada em dados permite identificar quais são maiores ofensores a partir de cada escopo de emissão. Com informações recebidas em tempo real, é possível avaliar os impactos de uma aceleração mais forte, por exemplo”, explica Sala.
- Diversificação da matriz energética
Em meio às discussões globais sobre eletrificação de frotas e reciclagem de baterias, o mercado brasileiro de biocombustíveis apresenta um potencial singular de eficiência e escalabilidade no uso de energia limpa. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética, do Ministério de Minas e Energia, a produção nacional de etanol deve atingir 47bilhões de litros até 2032, ampliando as possibilidades abertas por um combustível que, quando avaliado o ciclo de vida completo, pode reduzir em até 90% as emissões de CO2 em comparação à gasolina.
- Gestão integrada
Além das questões de responsabilidade corporativa, a conexão entre parâmetros de sustentabilidade e indicadores de eficiência operacional tem sido decisiva para acelerar a implementação de novos modelos de sustentabilidade no setor. Na prática, a tendência pode ser observada na integração de dados ambientais às métricas de TCO (Custo Total de Propriedade) e TCM (Custo Total de Mobilidade), revelando pontos de fragilidade em processos de gestão de recursos e manutenção de ativos. “Quando uma estratégia de sustentabilidade é bem implementada, ela pode inclusive reduzir desperdícios, otimizar rotas e melhorar a utilização dos recursos”, diz Roberta.
- Visão sistêmica
O sucesso dos novos planejamentos de sustentabilidade está cada vez mais ligado à leitura abrangente de contextos de negócios internos e externos. Além da análise dos hábitos dos condutores e das condições da infraestrutura local, estratégias de gestores de frotas devem contemplar o alinhamento entre diversas áreas de negócios, como RH, compras e logística. “Antes de falar sobre qualquer solução, é preciso analisar como os veículos são utilizados, as rotas que performam, as distâncias que percorrem e a disponibilidade que é exigida. Para isso, é fundamental compreender a perspectiva da organização e sua estratégia de mobilidade de maneira mais ampla”, conclui a executiva.



