Veículos elétricos na gestão de frotas: desafios e oportunidades no dia a dia

9 min de leituraSustentabilidade
Entenda como os veículos elétricos impactam a gestão de frotas, os desafios operacionais e as oportunidades reais para empresas no Brasil.
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A eletrificação da mobilidade deixou de ser uma tendência distante e passou a fazer parte das decisões estratégicas das empresas. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o setor vive sua maior expansão histórica em 2025, o Brasil atingiu o recorde de 223.912 veículoseletrificados vendidos, um crescimento de 26% em relação ao ano anterior.

Esse volume já representa cerca de 9% de participação no mercado total de veículos leves, sinalizando que a tecnologia amadureceu e ganhou a confiança das frotas corporativas. Com isso, é cada vez mais comum que mais gestores se perguntem se os veículos elétricos já são uma alternativa viável para suas frotas, não apenas do ponto de vista ambiental, mas também operacional e financeiro.

No Brasil, esse movimento ainda gera dúvidas práticas: como funciona a infraestrutura de recarga? Os custos realmente compensam? A operação precisa ser totalmente adaptada? E como integrar veículos elétricos à rotina sem comprometer produtividade, prazos e controle da frota?

Este conteúdo foi pensado para responder essas perguntas de forma clara e aplicada ao dia a dia da gestão. Confira!

O que você vai ver sobre veículos elétricos:

A chegada dos veículos elétricos às frotas corporativas no Brasil

Nos últimos anos, o Brasil tem vivenciado uma transformação gradual no mercado automotivo com o avanço dos veículos elétricos, impulsionada tanto por preocupações ambientais quanto por questões de eficiência operacional.

Embora a participação dos carros elétricos ainda seja modesta em comparação com países desenvolvidos, o crescimento é evidente: entre dezembro de 2024 e junho de 2025, a frota de veículos eletrificados (incluindo elétricos puros e híbridos) passou de aproximadamente 374 mil para 481 mil unidades, um aumento de cerca de 28% em apenas seis meses, segundo a SENATRAN.

Dentro desse contexto, as empresas começaram a olhar para esse tipo de transporte não apenas como uma alternativa sustentável, mas como um ativo que pode agregar valor à operação de frotas corporativas.

Pesquisas com gestores confirmam esse movimento: a Edenred Ticket Log revelou que 18% das empresas brasileiras já utilizam veículos elétricos em suas frotas, e outros 18% planejam adotá-los nos próximos três anos, ou seja, cerca de quatro em cada dez empresas estão diretamente envolvidas com a eletrificação da frota.

Esses números indicam que, apesar dos desafios de infraestrutura e custos de aquisição ainda existentes, os veículos já deixaram de ser uma promessa distante e começaram a ganhar espaço nas decisões estratégicas das empresas brasileiras, especialmente em setores que buscam eficiência de custos e alinhamento com tendências globais de mobilidade.

Custos e viabilidade dos veículos elétricos na gestão de frotas

A avaliação dos custos é uma das questões mais frequentes para gestores que consideram a adoção para a frota. Diferentemente de veículos a combustão, os carros elétricos exigem um investimento inicial mais alto, tanto na compra quanto em equipamentos de suporte, como estações de recarga. No entanto, a viabilidade financeira não é garantida e depende de uma análise rigorosa do TCO (Custo Total de Propriedade) para cada cenário.

Embora a redução de custos com energia seja um ponto positivo, ela precisa ser pesada contra o alto valor de aquisição no Brasil. A energia elétrica, mesmo considerando tarifas comerciais, costuma ser mais barata por quilômetro rodado do que a gasolina ou o diesel, o que pode resultar em economia significativa em frotas de uso intenso.

Além disso, veículos elétricos tendem a ter menos peças móveis e sistemas mecânicos mais simples, o que reduz a frequência e os custos com manutenção preventiva e corretiva.

Outro elemento importante na avaliação de viabilidade é a previsibilidade de gastos. Os custos operacionais de veículos elétricos são mais estáveis ao longo do tempo, sem as variações relacionadas a preços de combustíveis fósseis, um ponto relevante para empresas que planejam sua operação com maior precisão financeira.

Contanto, a realidade do Brasil exige uma análise cuidadosa: a infraestrutura de recarga ainda está em desenvolvimento e em grandes centros urbanos, o que pode demandar investimentos adicionais ou planejamento logístico para garantir que os veículos elétricos estejam sempre disponíveis para uso.

No entanto, com o crescimento contínuo das vendas e da adoção, como o salto de 28% no número total de veículos eletrificados no país nos primeiros seis meses de 2025, a dinâmica de custos exige que o gestor realize estudos frota a frota, pois a realidade operacional varia drasticamente entre cada empresa.

Leia mais: Carro movido a hidrogênio: como funciona e quais seus benefícios?

Infraestrutura de recarga: o que o gestor precisa considerar

A infraestrutura de recarga é um dos pontos mais sensíveis na adoção de veículos elétricos em frotas corporativas. Mais do que instalar carregadores, é preciso entender como a recarga se encaixa na operação, nos horários de uso dos veículos e nas rotas percorridas.

  1. Onde os veículos serão recarregados

    O primeiro passo é definir onde a recarga acontecerá. Em muitas operações, a recarga ocorre na base da empresa, durante períodos de menor uso dos veículos, como à noite ou em turnos específicos. Isso exige avaliação do espaço físico disponível e da capacidade elétrica do local.

    Para frotas que operam externamente, também é importante mapear pontos de recarga públicos ou parceiros ao longo das rotas. Essa análise evita paradas inesperadas e garante que os veículos mantenham a disponibilidade necessária para a operação.

  2. Capacidade elétrica e adequações necessárias

    A instalação de carregadores pode exigir adequações na rede, como aumento de carga contratada ou ajustes no sistema elétrico existente. Antecipar essas necessidades evita atrasos na operação e custos inesperados. Uma análise técnica prévia permite dimensionar corretamente a infraestrutura, garantindo segurança, eficiência e continuidade no uso desses modelos.

  3. Tipos de carregadores e tempo de recarga

    Nem todas as operações exigem carregadores rápidos. Em muitos casos, carregadores convencionais atendem bem à rotina, especialmente quando os veículos permanecem longos períodos parados.

    A escolha do tipo de carregador deve considerar o tempo disponível para recarga, o perfil de uso da frota e o custo do equipamento. Essa decisão impacta diretamente a eficiência operacional e o retorno sobre o investimento em veículos elétricos.

  4. Gestão da recarga no dia a dia

    Além da infraestrutura física, é fundamental gerir a recarga de forma organizada. Isso inclui controle de horários, acompanhamento do consumo de energia e definição de responsáveis pelo processo.

Adaptação da operação e da equipe no dia a dia

A adoção de veículos elétricos vai além da troca do modelo de automóvel; ela exige ajustes na operação e na rotina das equipes. Condutores precisam se familiarizar com novas formas de condução, planejamento de autonomia e cuidados específicos, enquanto gestores passam a lidar com novos indicadores e processos.

Treinamento e comunicação são essenciais nesse momento. Orientar condutores sobre boas práticas de uso, como condução eficiente e planejamento de recarga, ajuda a maximizar autonomia e reduzir impactos operacionais. Da mesma forma, preparar equipes administrativas para lidar com novos controles garante uma transição mais fluida.

Quando essa adaptação é bem conduzida, esses meios deixam de ser vistos como um desafio e passam a se integrar naturalmente à operação, contribuindo para eficiência, previsibilidade e modernização da gestão de frotas.

Leia mais: Tipos de veículo: qual é o carro ideal para minha frota?

Impactos na gestão da frota e na sustentabilidade

A transição para veículos elétricos mexe com várias dimensões da gestão de frotas. Por isso, alguns impactos precisam de mais atenção e os gestores precisam considerar:

O papel da terceirização e da multimobilidade como facilitadoras da transição

A adoção desses transportes na frota nem sempre precisa ser um processo complexo ou arriscado para o gestor. Nesse cenário, soluções como a terceirização e os modelos de multimobilidade surgem como grandes facilitadores para acelerar a transição, reduzir riscos e garantir eficiência operacional sem comprometer produtividade.

Ao optar pela terceirização de frota com foco em mobilidade elétrica, a empresa transfere parte das responsabilidades técnicas, operacionais e de manutenção para um parceiro especializado.

Isso significa que a gestão de recarga, o suporte técnico, o acompanhamento dos indicadores e até as negociações com fornecedores de carregadores ou energia podem ser geridos de maneira integrada, liberando o gestor interno para focar em estratégia e resultados.

Além disso, modelos flexíveis de locação permitem que a empresa teste e ajuste a composição da frota sem a necessidade de investimentos pesados em ativos fixos.

Um estudo conduzido pela BloombergNEF destaca que o custo total de propriedade (TCO) dos veículos elétricos tende a se equiparar ao dos veículos a combustão já na metade da próxima década, quando considerados fatores como manutenção reduzida e custo de energia mais baixo, reforçando que a transição não é apenas ambiental, mas também econômica.

Dessa forma, a terceirização e a multimobilidade não apenas ajudam a reduzir a complexidade da implementação de veículos elétricos, como também aceleram a curva de aprendizado, minimizam riscos e criam um ambiente mais favorável para que a mobilidade elétrica se torne uma parte natural da operação da frota corporativa.

Mobilidade elétrica é sua melhor decisão estratégica

A adoção de veículos elétricos na gestão de frotas vai muito além de uma escolha ambiental. Os ganhos potenciais, desde redução de custos operacionais até a melhora da imagem institucional, mostram que a eletrificação pode trazer benefícios tangíveis quando bem planejada e integrada ao modelo de mobilidade da empresa.

O panorama global também reforça a relevância dessa transição: projeções de mercado indicam que a adoção de veículos elétricos continuará avançando rapidamente nos próximos anos.

Por isso, conte com a Ayvens para apoiar a sua transição para a mobilidade elétrica. De consultoria de viabilidade a soluções de frota, infraestrutura de recarga e modelos flexíveis de utilização, estamos ao seu lado para tornar sua operação mais eficiente, sustentável e preparada para o futuro. Fale com nossos especialistas e transforme sua gestão de frotas.

Dúvidas frequentes sobre veículos elétricos:

Os veículos elétricos já são viáveis para frota corporativa? A viabilidade depende de cada caso, sendo indispensável a realização de estudos específicos para entender o perfil da frota. Embora apresentem custos operacionais e de manutenção reduzidos, a aplicação real deve considerar a quilometragem diária, a disponibilidade de infraestrutura de recarga e o tipo de operação. Soluções como a terceirização surgem como uma alternativa para mitigar riscos e investimentos iniciais, mas a decisão final deve ser sempre baseada em um diagnóstico detalhado da operação.Como funciona a recarga dos veículos elétricos na frota? A recarga pode ser feita em base própria ou em pontos públicos/privados mapeados no trajeto. É essencial planejar horários, capacidade de carregadores e rotina dos veículos para garantir disponibilidade sem interferir na produtividade.A eletrificação reduz o custo total da frota? A redução do custo total não é uma regra absoluta e deve ser analisada caso a caso, pois depende diretamente da realidade operacional de cada empresa. Embora os gastos com energia e manutenção costumem ser inferiores aos de veículos a combustão, o equilíbrio financeiro só é alcançado após um estudo detalhado que considere o investimento inicial, o tempo de permanência do veículo e o volume de quilometragem rodada. Sem um diagnóstico preciso da realidade da frota, não é possível afirmar que haverá economia.Qual o papel da infraestrutura de recarga na adoção de veículos elétricos? A infraestrutura de recarga é um dos principais fatores determinantes. Sem um plano de recarga eficiente, a operação pode enfrentar falhas e limitações. A [Ayvens](targetSelf:https://www.ayvens.com/pt-br/sobre-nos/) auxilia no dimensionamento e implementação dessa infraestrutura alinhada à rotina da frota.
Publicado em 23 de março de 2026
23 de março de 2026
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